Sou apaixonada por Manoel de Barros. Sinto uma enorme felicidade quando leio suas palavras, suas memórias inventadas, suas frases... Nossa eu amo! Gosto do jeito torto, da criação e admiração pelo insignificante. A profundidade do nada. A perfeição dos descartados.
Alguns pedaços...
"Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço
coisas inúteis."
"Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que
fui salvo."
"Com pedaços de mim eu monto um ser atônito."
"O que eu gostaria de fazer é um livro sobre nada. Foi o que escreveu Flaubert a uma sua amiga em 1852. Li nas Cartas exemplares organizadas por Duda Machado. Ali se vê que o nada de Flaubert não seria o nada existencial, o nada metafísico. Ele queria o livro que não tem quase tema e se sustente só pelo estilo. Mas o nada de meu livro é nada mesmo. É coisa nenhuma por escrito: um alarme para o silêncio, um abridor de amanhecer, pessoa apropriada para pedras, o parafuso de veludo, etc, etc. O que eu queria era fazer brinquedos com as palavras. Fazer coisas desúteis. O nada mesmo. Tudo que use o abandono por dentro e por fora."
Manoel está presente nos meus trabalhos, especialmente sobre identidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário