quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Inutilidades, miudezas, coisas sem valor...

Sou apaixonada por Manoel de Barros. Sinto uma enorme felicidade quando leio suas palavras, suas memórias inventadas, suas frases... Nossa eu amo! Gosto do jeito torto, da criação e admiração pelo insignificante. A profundidade do nada. A perfeição dos descartados.

Alguns pedaços...

"Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço

coisas inúteis.
"

"Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que

fui salvo."

"
Com pedaços de mim eu monto um ser atônito."

"O que eu gostaria de fazer é um livro sobre nada. Foi o que escreveu Flaubert a uma sua amiga em 1852. Li nas Cartas exemplares organizadas por Duda Machado. Ali se vê que o nada de Flaubert não seria o nada existencial, o nada metafísico. Ele queria o livro que não tem quase tema e se sustente só pelo estilo. Mas o nada de meu livro é nada mesmo. É coisa nenhuma por escrito: um alarme para o silêncio, um abridor de amanhecer, pessoa apropriada para pedras, o parafuso de veludo, etc, etc. O que eu queria era fazer brinquedos com as palavras. Fazer coisas desúteis. O nada mesmo. Tudo que use o abandono por dentro e por fora."


Manoel está presente nos meus trabalhos, especialmente sobre identidade.






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